segunda-feira, 25 de junho de 2012

Poesia envergonhada (ou O ser & estar da tristeza)

Hoje é tempo de comer mixirica
(Ou eu quero esse tempo de volta
Por isso escrevo)

Sentar no chão da sala
Quebrar a casca laranja
E ficar um minuto arrancando a pele
De cada gomo, o caroço
Pra só depois comer
Uma mixirica (15 minutos)

(Você e o seu cheiro
Que eu não lembro
Os dois) E esta mixirica

Minha mão suja a unha
Limpo na camiseta rasgada
É o último gomo
De que forma aproveitá-lo melhor?
Ao escrever, vou tirando os fios
Brancos que embaçam o laranja de dentro
Consigo ver um caroço ali
Não sei se como de uma vez
Ou se tiro o caroço primeiro
Opto por expurgá-lo
E então já acabou a fruta

(Mas essa demora toda me angustia.)

domingo, 24 de junho de 2012

Big Bangs the Poetry

Demência com quem durmo sta' notte,
Falência múltipla neural, pois assim ordena o velho e desbotado psiquiatra!

Falésias na escuridão cansada de gavetas tortuosas,
Mongólia, minha Mongólia querida ascensão de glória femural,

Candelabros a banharem-se em cachoeiras, cacho de banana podr e frio, raízes do sol!

Dentro do útero masculino a sangrar negro em Platão fora o cúmulo em que resto a testa,
Paradigma nojento de veias adjacentes sem a principal,
Caixas de papelão em que televisores são inúteis e todo o resto a tem(e) tem por único final,

Caixas de madeira dentre as quais a minha não ainda feita, pacientemente a me aguardar, hoje ainda viva...
               Estarás madura?
Oh, caixa abatida por lenhadores barbeados, sofro tua morte!
Penso hoje em ti e sofro por antecipação nosso destino e os dos vermes em que nos tornaremos...

O osso que restará não poderá fazê-lo...

Apelo a apolo em convalescênça por bondad(e) pelos pelos que me sobrem!
Anoiteço enfermo esta rollerball,
Mereço eterno este castiçal,

Castigo os pulmões com oxigênio sem cocaína...

Negações jupiterianas de Saturno e Titã!
Lorax!
Quasares em que marés pululam,

Big                                                                                         (QÜÉ....)
    Bang,
         Eu em ti estava!
Que me importa não star aqui      (u/ui)var
                                             lo
 A não ser puro o temor daqui      pelo que mais amor tenho,
                       Que sejamos sujos tua límpida.
                                    imaginação!               .
                                           !!                        .

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Meditação sobre a distância

brega é a palavra
que a boca come
e o olho cospe
.
.
.
se a palavra lágrima não existisse
(e a lágrima só existe porque existe
a palavra) a lágrima seria o cadáver
do amor

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Redução

Meu tempo é paradoxal.

Mas talvez todos tempos sejam...

Meu tempo é tempo de recodes e de atletas imortais.

É tempo de fazer ciência. Ciência microscópica, metálica, nano-metálica, inútil.

É tempo das crianças eróticas, jovens anti-heroicos e velhos de vinte e nove anos reclamando direitos a seus privilégios...

É tempo de levantes arábicos e mil e uma noites de terror em Wall Street.

É tempo de refeudalizar a sociedade em condomínios parcelados entre inúmeros anônimos vizinhos, e de viver sozinho, enclausurado, assistindo a nuas sombras na caverna mitológica moderna de estroboscópicos pixels coloridos.

É tempo cancerígeno siliconado! Milionários no gramado e miseráveis na torcida; infâncias perdidas na Europa, nas favelas, e querelas incontáveis de uma vida atrás da bola - sabidamente vietnamita.

É tempo de multinacionais interplanetárias, de lixos sustentavelmente tóxicos a preços relativamente módicos, ainda assim, rentáveis; de destruir para construir, de guerra pela paz, de paz pela construção devastadora da liberdade capitalista, guerreira capoeirista, mera dançarina aos olhos de um senhor escravizado.

É tempo de louvar, idolatrar e desmaiar pelo medíocre. Arte porreta desdenhada desenhada na sarjeta por um bêbado acamado no cimento pela gripe, enquanto em meio a tudo isso as jóias da coroa passeiam pelo campo ornamentando foices e martelos c'ouro falso, mas maciço.

É tempo de esquerda nada direita nadar na profunda receita cleptocrata de todas boladas que leva...
E leva boladas à torta e à direita, uma xícara de propina e duas colheres de impostos salgados a gosto.
Ao forno com todos!

É tempo sem tempo de ceder um só segundo a colegas inimigos ou a amigos concorrentes. Todos concorrem neste tempo. E como correm com pressa, impacientes no trânsito lento! Matam motoqueiros, sem talento ao volante.

É tempo de ipod, ipad, icloud, ican, oh yes, we can, e de vibradores digitais com direito a rádio AM e música gospel lasciva carregada no icloud do ipad para o ipod, yes we can, yes we can, yes we can!
Sim, a gente pode protestar aos surdos na Paulista pelos curdos, pela derrubada democrática de um governo ladrão, estuprador e carinhoso, embora ninguém o faça e poucos saibam quem são os curdos...

É tempo do progressista ultrapassado, do machismo feminista malogrado e de engatinhar em passeatas a debater o óbvio e interesses pessoais.  Da pequena batalha, que não é batalha, pela maconha, pelo aborto, pelo filho morto no iraque ou no leblon. Da negação de uma luta verdadeira contra o terno e seu recheio, romarias partindo do Rio a São Paulo a BH até Brasília, nossa inversa bastilha de criminosos livres cuja merecida residência é o presídio superpovoado interiorano; ou o esgoto mesmo.

É tempo dos museus abandonados, dos shoppings e mercados do freguês que o abarrota, se abarrota de mercadorias e tromba sem olhar para trás ou pedir desculpas ao criado.

É tempo em que não se escutam mais bandas da cidade e a roda viva está mais viva do que nunca. E roda por cima de todos, acima de tudo; tudo o que é matéria, som, luz, portando sombra, silêncio e a ciência metafísico-imaginária vergonhosa do poder.

É tempo de crianças que ignoram toda a graça e possibilidades de um barbante ou de uma caixa de papelão, limitadas às imagens de ação dos video-games entre quatro paredes, até que desçam ao playground pré moldado num projeto ultra arquitetônico da mais pura falta de imaginação.

É tempo de se curvar ao chinês domesticado pela besta imperial de um socialismo de fachada, de entregar-se ao imperialismo social americano de Nevada e de chutar um animal atropelado moribundo na estrada.

É tempo de garotas de família ansiosas pelos títulos de putas da cidade e de putas titulares lesionadas pela idade e cafetões a quem respondem.

Há tempos não ouço falar de assassinos em série...
Não sei, honestamente, se devido à decadência ou ao sucesso de sua classe.

É tempo adolescente da internet ainda jovem, encabeçando a evolução da raça humana, seu saber e toda a interdependência da comunicação complexa entre idéias desconexas que surgem a todo instante no meu tempo.

Augusto, e agora?
Para onde vamos nesta fúria digital?

Na dúvida, entrego-me à beleza...

Me decapite a beleza...

Vou sonhar um mundo unido e tolerante após a curva,
Transformar a água turva em vinho tinto de poesia,
Ruminar apaixonado as mais sinceras elegias frente ao espelho
Até que o despertar do alvorecer num céu vermelho infle a flor de vossas testas.

Por entre espelhos flamejantes
Rodopiar como um vampiro,
Imortal,
Presas à mostra;

Abocanhar de uma só vez os sete pecados capitais,
Perdê-los em maus lençóis, e
Inventar novos;

De cara mergulhar na gota de chuva espessa marciana:
Uma capa invisível pendurada em minhas costas,
Duas santas afrodisíacas prosternadas a minha volta,
Três mazelas insuportáveis
E um carteado de cigana
Que à vontade o vento espalha em minha cama;

E pela carta cuja face exiba o maior sorriso
Serei guiado à ingratidão pela porta dos fundos,
Coberto de razão, sangue, ouro, imundice e
Sincretismo social intergalático;
Este último encontrado não por acaso
Embaixo de uma pedra.

Que há com a humanidade?

Hein?
Que há contigo?

É falta de carinho?
Vem cá, humanidade, deixa que te abrace!

E passo a mão na cabeça da humanidade e recebo em troca 2012 facadas no fígado;

Ah, humanidade,
Teu mal é esta vontade egoísta de ser;

Humanidade, Deus não te ajuda porque você é ridícula.


II


Pensam-se corajosos os covardes; simultaneamente, pensam-se covardes os corajosos....
Não sou um,
Nem outro,
Ou ambos!

Consideram-se salvadores os que invadem. Invasores os que salvam...
Não sou outro,
Nenhum,
Ou ambos!

A felicidade traz consigo o carma do pranto; a tristeza se incumbe de transformá-lo em dom...
Ou ambos!
Não um...
Nem sou outro!

Sou tudo aquilo que sei,

Meu nome é Ignorância...

Sou barco e meu porto inseguro;
Sou Baco e me porto futuro,
Sou fraco em refluxo,
Músculo atrofiado e
Minúsculo.


III

Sei do universo grandioso.
Poder congelar-se numa câmara criogênica!

Mas o medo do futuro, oh, o horror, o horro ro ro ro ror...!

O sucesso da revolução mental
Dependerá da intensidade de nossa crise...
E não tarda.
Afinal, que são poucoscentos anos na história humana?!
Ou trezentas gélidas noites sob céu aberto para a mendicância urbana?

O homem cansará de ser apenas o homem.

Certa noite tive um sonho gay, acordei e quis voltar a sonhar em segredo sem medo da escuridão de meu armário largo ao qual todos são bem vindos;

Durmo sempre nu e de janela aberta por mais que frio faça,
Amo o vento a me ninar,
Como mãe a me ninar...
O vento é o mundo a nos fazer carinho...

Se cai uma árvore no meio da floresta sem ninguém por perto,
Ninguém se machuca...

Sei disso pois como um tronco caio diariamente e nunca houve quem me amparasse - ao menos me machuco sozinho.
Lá vou eu novamente:

MADEEEEIRAAAA!!!

Penso que grito, mas por falta de ouvintes, não grito; nem faço barulho estatelando-me ao chão.
Certo dia caí sobre um ninho de cobras e lá quedei-me...

Até hoje o remorso me acompanha ao leito!

Odeio e amo tudo e todos menos que eu mesmo,

Exceto quando estou em frente ao espelho, então meu reflexo acusa o vazio do qual nasci cheio e toma conta indiferença...
Percebêreis meu latente narcisismo?
Qualquer dia desses me afogo no vidro do banheiro enquanto me barbeio...

Meu reflexo paulatinamente me provoca,
Vejo em seus olhos uma vontade madura de precipitar-se em minha direção, estilhaçar a superfície que nos separa, agarrar um caco de vidro espesso, enterrá-lo na própria garganta e ver jorrar meu sangue...
Já não sei mais de que lado do espelho me encontro,
Se sou eu,
Se o reflexo,
Se todo o paradigma desta solidão a dois,
Do encontro comigo de encontro a mim mesmo...

Meus olhos então suam, o corpo, se não, chora!


sábado, 2 de junho de 2012

prolegômenos à solidão

I
decidi deixar tu
(eu acho)

não me bastam os sonhos
essa tormenta que é acordar
toda noite
e não ter tu

não me bastam as vontades
transmutadas em tristeza
essa dor do dia
do coração frio
do estar amputado
inclusive de tu

me relaciono com tua distância
essa capacidade de não ter alguém
só tu
em minha saudade

II
teria feito tudo diferente se entendesse o que significavam aqueles carinhos, as nossas mãos, todas quatro, perdidas umas nas outras, nos (a)braços, costas, pernas, pelos, os olhos, tudo o que fica & morre no depois, porque tenho medo que tu voltes e, como costume, finjas que aconteceu nada, me lembrando, por isto mesmo, incessante, o quanto existiu

III
se me bastasse a lembrança
mas não basta e sou todo uma dor
me baste a memória e, então, te aceito, Solidão.
25.5.2012
4:35

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Quando 1 + 1 é igual a 1

Namorei a primeira vez aos treze de idade!
Namoro infantil, é verdade, mas intenso...
Infelizmente, apenas intenso de minha parte - ou não.
"Ou não" infelizmente!
Estou certo da irreciprocidade...

Como nunca, até então, sofri, como sempre...
Trocávamos cartas e eu,
Amor por simpatia;

Neste negócio de amar, entrei no prejuízo - disso sabia, mas pagava
De bom grado
A pena de ter meu amor, amado!

Sua Tuas Lágrimas

Então estás triste?
Mas se estás triste, por que choras?
Choras por leite derramado sempre que choras triste...
Por incompetência tua é que choras quando choras triste...
Choras por haveres perdido aquilo que não mais existe!

E quanto sal dedicaste a tuas lágrimas?
Quanto suor desperdiçaste aos olhos?
Quanto mais chorares por estares triste, mais triste chorarás!
Choras, amigo, preguiça
Pois pensas para trás!

Datilocracia

Tenho sono

Mas tenho também a preguiça de dormi-lo...
Os dedos são os únicos a ignorá-la
Olhos lerdos, escrevo e me atenho somente ao que já foi escrito;
Leio, enquanto escrevo, a palavra imediatamente anterior àquela que escrevo...

Meus olhos cansados imploram arrego e por fidelidade aos dedos, forço-me a arregalá-los...

Self Portrait à La Carte

Tenho às vezes sensação de viver em outro homem,
Mais um desses, patético

Olho para dentro e me vejo às avessas, avesso a mim mesmo;

Bruce Barrett,
A parrot of infimous previsibility;

Bruce Barrett,
A carrot in tight people's asses...

Mumbling, crumbling,
Fucking my way into greatness...!

Insideout


Either someone took it or I put it in my pocket;
Thoughts are running slowly, leaning towards the fire
While an angelic halo is stuck in my hair and a pair of horns is sticking out of my forehead

In your diabolic ears I’ll gloat desire

Deep into hell or elevated in heaven I’ll sing
Amongst demons, with angels I’ll sing
I’ll sing while they kiss, drink and dine,
I’ll sing to their orgies,
The pleasure is mine;
I’ll cry my sweet lullabies to Satan
The merciful Satan, whipping my back to the bone;

His minions shall spit salty pepper in my wounds,
But I swear I’ll cry even louder, His whips as a metronome

And as they laugh at my pride, I’ll cry those lullabies,
I’ll cry them
All alone…

But until then, fuck it!
I know none of these churches are true;
Until then, I’ll do whatever I
Think is right…

If there is, in the end, a God
In His holy might,
I think He’ll understand,
I think He’ll sympathize…  

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Duas Marias de Três

Começo a escrever às quatro da madrugada...
Daqui a pouco vem o sol me roubar a inspiração;
Daqui a pouco a inspiração me roubará a lucidez;
Daqui a louco são quatrocentos e trinta quilômetros

e cinco horas de puro rock & roll.....

terça-feira, 15 de maio de 2012

Eu Nós Vós Pelos Séculos, Fênix

Quero me esparramar na juventude,
Mergulhar em noites frias como esta!

Enxugar o frio nos copos quentes corpos
Da mendicância sentimental paulistana...

Quero meus iguais comigo em cama larga, nus,
Uma colcha de retalhos viva, todos nus
Soluçando gargalhadas,
Grunhindo ronronares ressonantes
Por impulsos inexoráveis, espontâneos;
Naturais de todo o cio animalesco
Castrado na sociedade alheia
A nosso quarto de paredes quatro e orgasmos infindos...

Roçando membros em outros membros
De quem quer que sejam os membros,
Quaisquer membros de cores quaisquer
Por pelos espessos ou femininos...

A embalar um rock progressivo
Com as pontas dos dedos
No órgão absoluto pele humana,
Sobrehumana como Nietzsche o quiz e fez...

Ah,
À trois, à quatre, à cinq;
À soixante-neuf!

Um Paul Reé aos pés de minha cama;
Lou Salomé tudo a nos separar.

Eu em júbilo,
Eu centopeia,
Utópico,
Típico....

Fálico
A elucubrar mundo à minha frente!
De pernas abertas à minha frente
E tão carente, oh, tão carente....

Às favas com os lençóis
Às favas às quais sou alérgico de nascença...

Cadê vocês, irmãos
A quem pariu a deusa Angústia?
Nossa mãe vos chama ao ninho!
Do topo do vulcão a nosso ninho!

RESPONDAM!!!

Vós,
Que voastes para demasiado longe
E me abandonastes caído aos pés do monte!

Somos os mesmos e nascemos e morremos ressuscitando pelos séculos,
Somos o mesmo século estourando em gritos a verdade crua!
Somos mesmo arquetipificados séculos na solidão da carne!
Somos esmo de probabilidade equivocada perdidos em nós mesmos...
Somos Fênix e invariavelmente voltaremos a sê-lo...
Somos Fênix e
Voltaremos a sê-lo....

Cá embaixo aos pés do monte me parece
O nada cujo esquivo m'aparece aos montes:
Só eu quererei ler poesia baixa em voz alta?
Só eu, escravo do vinho
Escuto música em silêncio?
Só eu elevado,
Só eu sereno?

Só eu quero quebrar tudo à minha volta
E todos a vossa volta a todo momento?

Chega!

Desejo

Ignorar teu oxigênio, ar,
Beber teu gás carbônico, humanidade!!!

Só eu, Fênix...
Eu nós vós, Fênix!

E voltareiemostes a sê-lo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dúvidas.


Certo dia, tive uma dúvida.
Mas que dúvida?
Não sei, qualquer uma.
O que fazer?
Em que acreditar?
Por que viver?

Talvez, deva trabalhar?
Mas, já trabalhei.
Ganhar dinheiro, bastante dinheiro.
Gastar dinheiro, bastante dinheiro.
Ter amigos fúteis,
Tornar-me fútil.
Não vejo razão nisso.

Talvez, devesse ser religioso?
Voltar a acreditar em Deus?
Defender Cristo até o fim?
Muitas pessoas acreditam em Deus.
Muitas pessoas defendem Cristo.
Mas ninguém acredita no amor.
Não vejo razão nisso.

Talvez, devesse fugir deste mundo?
Sentir a sensação do ópio?
O poder da cocaína?
Fumar um cigarro,
Outro cigarro,
Outro cigarro,
Um após o outro.
Ter câncer do pulmão,
Uma overdose,
Tornar-me louco.
Morrer.
Não quero morrer,
Não vejo razão nisso.

Talvez, devesse mudar a sociedade?
Gritar, em plenos pulmões,
Sem ser escutado.
Acreditar em um mundo
Que seja justo.
Que seja igual.
Mas todos são egoístas.
Não vejo razão nisso.

Talvez, devesse viajar sem rumo?
Conhecer vários lugares,
Um mais triste do que o outro.
Ser proibido de ser livre.
Nas fronteiras concretas, imaginárias.
Ser tratado como lixo.
Nas lixeiras do preconceito.
Não vejo razão nisso.

Talvez, só me reste uma solução.
Viver do jeito que seja possível.
Não por uma razão.
Apenas, por viver.
Sem esperar resultados,
Sem pensar no futuro.
Um dia após o outro,
Sem medo.

Mais, quand la vie sera belle?
Je ne sais pas, jamais. 
Peut-être, elle soit déjà.

Pois,
Não exitem razões.

Exitem,

Apenas,

Dúvidas.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

On Bible II (or Letter to Carlin, may he do it in hell)

Nosso mundo
velho mundo
novo mundo
todo mundo, velho ou novo
ama o mundo
mas há
quem mais ame
o seu.

homens ilhas,
náufragos

por tempo demais, náufragos
enlouqueceram, náufragos
e arruínam o mundo;
não sabem o que fazem

(...)

desde Cristo não sabem o que fazem!
com seu ódio
endeusaram o inimigo
por dois malditos milênios;

é condição humana não saber o que faz!
a vida não tem manual;
atualizem a bíblia
esta horrível magnífica ilha,
mas comecem como se deve,
com "era uma vez"...

Lanchonete na Paulista

- Um poema e um açaí, por favor.
- Vai querer banana e granola?
- Só no poema...

(...)

lê o açaí,
come o poema;

(...)

- Satisfeito?
- E como poderia?
fazem ainda falta uma praia, bom acarajé e muito mais preto neste povo branco!
nas favelas o baiano se sente mais em casa...
e painho sabe,
paulistano leva anos pra manjar a terrinha...

domingo, 15 de abril de 2012

Hai-kai da sodade

se esse papel me servir de beijo, te como
e escrevo na parede
pintura rupestre do amor que te sofro

sábado, 14 de abril de 2012

Gênesis


No primeiro dia, a voz do homem ensinou
As palavras do Deus,
Que julga,
Que salva,
E não perdoa.

No segundo dia, o falo do homem estuprou
A mulher lasciva,
Que seduz,
Que pari,
E não reclama.

No terceiro dia, o olho do homem cobiçou
A terra alheia,
Que produz,
Que alimenta,
E não ressuscita.

No quarto dia, a mão do homem escravizou
O outro homem,
Que trabalha,
Que trabalha,
E não se cansa.

No quinto dia, o braço do homem açoitou
O filho do outro homem,
Que trabalha,
Que trabalha,
E não se cansa.

No sexto dia, o cú do homem expeliu
A merda valiosa,
Que fede,
Que polui,
E não se aproveita.

No sétimo dia, o estômago do homem descansou.
E criou-se a humanidade.




terça-feira, 10 de abril de 2012

- Vou Pular!

- Por favor, não o faça!
- Por que não deveria?
- Tanto há pelo que viver! Como podes abandonar assim o mar, as flores, família?
- Quem pensas ser para dizer-me das coisas da vida como se a pena pagasse vivê-la? Quero morrer. Me deixe morrer, que a vida é sofrimento; latrocínio divino; roubo, roubo, roubo, seguidos de morte!
- Que te roubaram, irmão? Não pode ser mais valioso que tua vida!
Não pula. Me dá a mão; te convido a dançar!
- Cansei de dançar, derradeiro amigo... Não posso dançar, assim como não se pode cantar no vácuo sideral; Veja: o lago é ao nado o que é à dança, alegria...
Pulo!
- Não pula...
- Pulo.
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         .
         .
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         .
         .
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sábado, 7 de abril de 2012

Isocromossômico Delírio

Ha ha ha ha ha ha ahhh...

Encanta o constante farfalhar das palmeiras ilheenses,
o ar...
Saborosa melodia do ar quando anoitece
tecendo à perfeição os cabelos de amantes...

Consternadas na imensidão, solitárias
estrelas cintilantes ao gordo luar dourado
ostentam orgulhosas o sinalagmático engôdo
entre céu e oceano ao exaltar
suspensos, submersos, seus falsos diamantes...

Há fogo na areia branca...

Em êxtase
contempla um casal de artistas
buscando inspiração meta-ortográfica,
toda a nebulosa esburacada via láctea.

E ligam pautas nas pontas dos dedos,
desenham claves conforme o desejo
em meio a beijos, risadas, devaneios...

Em meio à brisa que seios endurece...

Rufam as ondas, a fogueira estala
rítmica.
a se tocar provocando tremedeiras
sísmicas,
prazer absoluto! Absurda é tal paixão
recíproca;
silenciosas, línguas sussurrando às peles doces
carícias
caóticas
cíclicas...

xx x xx

quinta-feira, 5 de abril de 2012

No Meio do Caminho, Pedras!

Queres mesmo saber quem és?
Pois pergunta à mais sincera testemunha;
Do topo de uma montanha ao vento certo
Encha teus pulmões de ar e grita tua questão à Terra...
Pergunta ao eco!

Caso temas a escalada, todavia,
Procura a cavidade duma gruta
Ou orelhas duma mulher singela
E da eterna escuridão o veredito
Daquela cuja essência seja verdadeiramente oca,
Reverberará vazia tua resposta rouca...

Se temes o veredito, cala teu louco grito,
Tira esta roupa suja, criança, te lava!
Atenta ao teu silêncio; ao mar, ao firmamento;
Ao ronronar de teu vulcão interior pleno de lava,
À cidade e ao relento...
À cidade e ao relento...

As cidades são florestas,
Moradias de Medusa.
Para vencê-las, faça como Édipo!
Vês aquelas agulhas de tricô sobre o travesseiro?
Pois bem, irmão...
Pois bem, amor...
   Usa!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ohlívia

quanto sofrimento me causaste...

quantas noites passei pensando
no teu rosto ao meu lado,
no começo no cinema,
no princípio em Bertioga,
em como tentamos salvar um ao outro
sem perceber o desespero alheio;
que precisamente o desespero da vítima
o mal nadador afoga.

hoje decidi me alforriar de teu domínio,
guardar a manta que encobria o passado,
sentir de novo teu "eu te amo",
o meu "eu te amo",
nosso "não te quero mais...",
te querer de volta,
o orgulho ferido,
te querer ver morta,
a raiva do amor,
o entulho de amor inútil que sobra;
a impotente revolta...

quem sabe assim finalmente selo
ou mesmo soldo minha paz;

vou logo dizendo aquilo de que não mais duvido,
de que é testemunha legítima minha nova consciência
e digo, pessoa:

pessoa,
quando te amei, te amava...

vejo no retrovisor a curva que fiz na vida
para fugir de você dentro de mim;
não sou quem eu era, nem tu.
não sou esta fera,
nem és tu aquela fera,
e nem sequer eras,
embora para me enganar
disto até há pouco me convencesse...

sou nada mais que um homem:
este!
falho como todos os outros...
como as cartas que escrevi
a cada 7 de setembro
não postas no correio
sem ter jamais pedido que as lesse....

tanto queria te dizer
quando me evitavas...

me convenci de que sentias prazer
quando me evitavas...

ohlívia, se me visses por dentro...
talvez perdoasses o mal feito
inconsequente ao egoísmo,
defeito de juventude imatura,
e me aturasse novamente;

talvez
para sempre
talvez
sem temores,

ou por te ter traído,
com outros amores,
quem sabe?!

mas nem és tu minha Marília,
nem sóis de maravilha
apagarão a nossa história...

livrei-me de tuas cartas, amor de outrora.
joguei também fora a aliança devolvida;
e minha vida,
até agora...

ora, ora, foste embora!

teu rancor nasceu do cravo,
meu remorso virou rosa e um poema...

desde sete anos do aparente apocalipse,
tenho hoje uma certeza,
pessoa já estranha:

não volto para ti minha esperança...
bela demais é a vista desta nova morada;

tua imagem opaca me negara o horizonte;
quero ver mais adiante...

mais longe de ti
(feliz confesso),
enxergo mais longe...

sexta-feira, 23 de março de 2012

"Vocêu"

quero escrever-te uma carta para ver-te em palavras
representação
os olhos das palavras vêem o que a imagem não fala

sinto falta do teu cheiro cheirado pelo meu nariz
da tua voz ouvida pelo meu ouvido me olvido
da tua carne vista pelos meus olhos – ou sentida

a vida é a vista da vida (ou a vida à vista)
esse mundo reino castelo de areia & sangue
bordado na tua pele

sexta-feira, 16 de março de 2012

Partes Incompletas de um Todo

Qual a etiqueta da vida?

Devo dar-lhe bomdia, boatarde, boanoite?
aquiescer a suas vontades, rebelar-me contra os maus viveres?

Qual a etiqueta da vida?
Lavo-na à mão ou meto na máquina?

Qual o segredo da vida?
Conte-me o segredo da vida, que o guardarei melhor que não o fizeste!

Onde o sagrado da vida?

Tudo é sagrado, menos a vida!
Sagrado o orgulho, sagrada a mentira, sagrada a família,
Vergonhas, o cú do mundo, o cú domingo,
O cú dormindo, o acordado e o que pisca infatigável!

Sagrados os zumbis das universidades, a cura
Que não encontram na cannabis, na cerveja, nem nos companheiros de viagem sofrida
Sem quem lhe decepe a testa ou a tragédia lhe finde.

Da vida me alimento e de mim se alimenta a vida - tira pedaços -
Braço, perna e tantos corações quanto tiver um homem!
De que vale um homem sem coração?
De que valho, buraco no tórax, vendas nos olhos e esta maçã nos dentes?
Devaneios rotineiros fixam-se à retina!

Tombam as pálpebras.
   Tombam e quicam no "b" se estendendo às alturas
revelando beleza aos artistas que tentam e os que nem tentam fazer arte.

Cadê o mundo inteiro?
Sinto falta do mundo inteiro!
Vejo meu espelho em pedaços nas árvores, nuvens...
O mundo inteiro em pedaços!

Espelhem-se em mim as coisas do mundo, eu nelas também...

Para que o mundo em pedaços seja inteiro de novo, espelhado em mim!
Espalhado em mim e manteiga derretida...

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Caminho de Oz

Lá vem ela, lá vem...
Lá vai ela, se foi....

Ó musas-desejo!
Sinceramente, devo confessar que não vos amamos!

Amamo-vos o andar, vossa coxas...
Amamo-vos o olhar, vossa boca...
Amamos ver-vos dançar, bossa rouca...

Amamo-vos ver-nos todos os dias
E como nos ignorastes
E nos provocastes a todos em volta

sagrado condor, caminho das naves,
engajados no horror que perdido nos trazes
sois desfacinação, objeto dos crentes em prontidão
a despeito daquilo que sentis!

Senta na poltrona e sente!
Pensa na tua história e sente!
Pensa na tua essência e sente!
Pensa até o pensar doente te inundar de autoconhecimento e dor e falta de esperança...

O tom do vento na janela é sempre crescente
búuuuuu
bluuuuuu
balooooon quica quica, vê só como o "b" quica?!

e pra onde vai esse vento?
pra onde eu vou nesse vento?

pra onde leva?

haverá gente...?


quinta-feira, 8 de março de 2012

DÊ CREScente

um milênio a fé perdoa

um século à toa, tênsil

a década cada toda

no ano tocado em sol

um mês e bemol é álcool

semanas, dois sustenidos

um dia munida a gente

a hora, granadas voam

minuto em que sua a pele

em segundos te visto nua

agora

de encontro ao tempo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Filhote de Lua

Sinto-me asquerosa lagarta
Prestes a explodir de mim
Posto que em meu corpo já não caibo;
Não caibo neste corpo pequeno;
Ao hábito terreno, não caibo...!

Me livrarei
Não obstante a pele rasgue!

Jamais quis ser astronauta;
O sou por capricho genético, apenas...
Nu nasci no espaço sideral e
Traje espacial nunca me coube...

E embora hajam meus ouvidos suportado,
Os olhos estacionado, o sangue condensado,
Cá me encontro,
Perdido em vil potência e fantasia;

Para transbordar, faço poesia...

E quem lerá? E quero que quem lerá as leia?
Quão limitada a compreensão alheia...

Eu que de mim nada compreendo,
Sem nada, talvez, compreender serei cremado!

Peço que comigo queime este poema...
Se confundam nossas cinzas na urna que nos contenha!
Sejamos um, nova e finalmente.

Até lá, por mais cedo me espreite a data,
Por mais medo a morte invoque,
O deixo sob guarda do papel que lhe sustente,
Papel que me suporte.

No fim,
Seremos um, novamente,
Artista e arte...

sábado, 3 de março de 2012

I

tu me veio recorridas
vezes à cabeça
percorrendo o plasma
do meu corpo
que, vermelho-sangue
te lamenta
[meu eu-lírico é que te lamenta!]
tu continuas em mim
como se meu corpo
te sentisse o pelo
pelos poros que suo
ao escrever, pensando em tu
estes verbos mortos
estes versos novos
que a mim me foram dados
etcétera e tal
teu nome e teu hálito.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Meu sangue te sugou

I
Tua língua me pediu para ficar.

II
Mandei uma mensagem dessas que toca o celular e vibra a alma e tu me respondeu dentro dos próximos cinco minutos – o tempo suficiente e necessário para manter equilibrada a ansiedade – e como que se me quisesse, e me querendo e eu te querendo, saímos à tardinha, na sombra das ruas underground, pr’um filme qualquer, pr’um motivo qualquer que te colocasse ao meu lado (confesso, agora, que precisei de tu pra esquecer o presente desgostoso do presente). Os curtas acabaram. Tu, ao final, me perguntou o que achei, qual preferi, e eu não sabendo ao certo disse que achei tudo estranho, que não gostei. Tu concordou e tudo treslucidou. Aí eu te queria mais tempo por perto e convidei pr’uma cerveja despretensiosa, pr’uma companhia que me alegra a vida e só. Vai que tu quisesse ficar mais? vai que a gente jantasse juntos como há muito não havia? vai que o tempo pudesse brigar com a lógica e andar em passos lentos? O acontecido foi que conversamos sem o tempo futuro incomodar, sem o dia seguinte chacoalhar a razão batendo incessante à porta, sem querer sair de perto um do outro; ou eu de tu. [juro, Papel, não mentirei a você! minha sinceridade será tatuada a sangue em teu branco.] Quis perpetuar o instante de dois e minhas tentativas restaram frutíferas. Tu me falou das tuas verdades, das tuas tristezas, e de tudo o que se conversa em uma mesa de bar durante cinco horas, banhadas do assunto que nunca conversamos, da conversa que nunca tivemos. Eu te falei o que quis te falar naqueles versos, nem lembro, ou lembro e isso me é desimportante. O clímax foi quando dissertamos sobre o que faríamos depois & o depois se transfigurou no agora, saindo, eu e tu, pr’uma boate que serviu de bar, de carinho e de qualquer coisa que signifique nossas pernas se roçando, nossas mãos se tocando e minha boca te sentindo a língua. Claro que o que se procedeu foi mais, não tenho dúvidas, mas não pra mim, e sim pra tu, já que foi tu quem disse que tua amiga falou que combinávamos, foi tu quem disse que teu namorado imaginava que você me experimentaria, e foi tu quem me quis na tua casa, mesmo eu propondo, sem representar minha vontade, que eu fosse embora, naquela caminhada antes e depois do metrô. Eis que entrei na tua morada, vi as cinzas da cachorra no pote defronte à porta, sentei no sofá ao teu lado, e tu propôs, envergonhada, que subíssemos pro quarto já que a janela da sala, às cinco da manhã, nos propagandeava. A gente tirou a roupa, tu me massageou como nunca, eu fingi uma sabedoria inútil, e pelos pêlos dormimos abraçados. No dia seguinte tu me chupou. (Confesso, também, que tua boca me fez me sentir mais vivo.) Mas a tua empregada me apressava como se alguma realidade precisasse existir. Fui embora em tchau fugaz. À tarde, mandei uma mensagem sem minh’alma vibrar e tu respondeu bem. É que aí acreditei no amor. Só que o cimento da cidade de São Paulo me afastou de tu, o cimento da cidade que transforma tua vontade em repressão me afastou de tu, e, mesmo com o tempero de árvore na Pôr-do-Sol, esse cimento todo me afastou de tu. Como se tu quisesse te conhecer, tu fechou teus olhos.

III
Fechar os olhos não apaga o fora.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

From Mars to Venus in Venice, a Loon

alright,
I'll freeze time.

lets melt space in our salty blue foggy dark eyes,
let's make foundations crumble wearing safety goggles forever together!

I'm thrilled to walk constellations
of various people now gone;
all alive in memory,
though advanced
and immortalized
in sighs...

those hardcore sighs...

sighs of a billion emotions...!

sighs that crush your insides from the inside;
ferocious lions wich roar inside,
and roar down to the core,
brings one to the floor,
on his knees
hiding tears...

tears of colors many...

I think of kings of yore
arrested for obcenity,
indided for possession,
dead in pools of sweet ethilic vomit,
sweating all over their mighty guitars, writing ogasmic solos;
aphrodisiac guitar solos like the ones I used to pretend to perform as a child...

split, splat, lips carressing a lap!

We listened to the fussy oyster of light;
every stroke on every string lit a ceiling in venice...
green, blue, yellow, white...
all dancing tonight, in the bright rooftops of the sea above me...
every note a drop of musical rain and infinite colors; and everything's shapeless!

I drop every drop,
pick up everything!

I see it all!

nothing is shapeless!

Venice, O Venice...
had I known of Venices maze,
had I known how soon they put you to bed, Venice...
I woudn't have lived you at all...

I found myself by losing my mind through Venice
and found many wonderful souls in its chanels,
drank a fishtank wich failed to get me drunk;

sang nonstop with those who would,
and screaming they would!

saw men spit fire and lungs in the stages of Venice,
crowds dancing and pushing itselfs to its limits in squares, not one square arround.
Santa Margherita, what a struggle to find you!

a powerful sound made the masked men in Venice!

Harlequins combined, Colombines of Harlem and mad men...
the crazyest of women...
happiness given to people who share it in Venice.

shouting punk songs about atheísm, anarchy, pot;
shooting fingers at reactionists, communists, democracysts...
catholics, squares, and the invisible hand
that takes everything to itself and nobody sees...

o, Venice...
I love everything I thought of as a menace...

get it out of my way,
it's all in my way,
all that is is in my way,
reality is so obstructing;
it'd better be my way,
caothic, they say...
but worth it!
.....

Madness...
the goddess is here!
it sings, sane as it seems!
it knocked on my brain with news to the narrow
and told me to tell you
a secret of Truth;

the crazy don't know they're crazy,
everyone's crazy
and nobody knows!

please,
release lunatics of old into their own worlds;
gallows belong to the ground...

take them down as they once did in venice,

don't kill men
If your life's not in danger;
know not what it feels like
to kill a brother...

I hoped I could be a painter in venice,
to show you the things I've seen...

boats floating in water,
deeper than water,
boats floating through boats in the seas...

my face was a beautiful mask
and everyone's masks, floating faces...

trough the dark, cold,
narrow corridors,
wich hid various true monsters,

in Venice,
I wasn't afraid.

I walked on humming a wonderful dream
while fake
monsters smiled,
waving hello and good bye on their way...

Not living in Venice though living Venice's night;
sleeping in train stations, once in a train...
the floors are quite cold that time of year in Venice...
in an open sky corner balloons were now pillows!
all worth it, all very, very worth it...

pain tansformed into laughter
from others arround;
I woke up now and then, they laughed anyway...

and talked about carnival,
politics, shame,
economy, sodomy, art...
and about how it all won't be ok, ever...

and in the end
there isn't one.

everything is a vicious cicle!
wood doesn't come from the ground,
it is the ground,
wood is ground, can't you see?
It's color is brown, can't you see?

the earth is alive!
lava is but blood
pumping in rocky veins!
we are the mind,
made of earth,
thinkers, all of us,
can't you see?

the universe lives,
all is one,
can't you see?

we are imortal in matter...

everyone, everything lives!

infinite us!

what I am will be food
and trees
and shelter...

trough nature
we'll live forever;

We are atomic gods.........!

atomic gods indeed....!

let's build our own Heaven!!!

be Heaven!

fuck the atomic bomb!!!

imagine yourself a whole new scenario,

what happens if madness and greed and malice succeeds in the end of our times?

I fear for my Heaven;

and fear for your Heaven;

and fear for this Heaven,

The Universe above us; Shining above us, Truthfull above us...

exiting above us,

delighting above us...

and all is atomic,

and we are our own,

the world's,

golden atomic gods.




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Como Amar um Fantasma

Sonhei-te ontem novamente;

Machuca, dizê-lo me dói...

Cerro os olhos e estou contigo!

Minha alma dói,
meu corpo dói,

Agonizo.

Que fazes agora?

Fecho os olhos e posso sentir-te...
Tua pele errante ao vento,
como se me fizesse em ar,
peralta borboleta...
..... a amparar-te;

Te respiro.
Cerro os olhos e te respiro.
No escuro,
me enches de vida...
Somos vida pulsante, eu e tu...

Quero ver-te ao menos uma vez...
Por um segundo no tempo infinito
tocar tua face com leveza,
perder-me em teus cachos...
abaixo do umbigo...
....

No sonho, te abraço para sempre,
teu corpo me completa...
Sou pela metade olhos abertos...

Sonho teu cheiro o mais humano, puro animal;
De natureza, inebriando a própria natureza...
Teu cheiro é a noite da Bahia....
A meia-noite soteropolitana.

És pelante supernova,
embora saibas ser fria...
Num porte seguro, decidida, inocente no olhar...
Teu vívido olhar, melando relva ao fundo branco,
verde e amarelo
num tom brasileiro,
perfeito.

Sonho em saciar em teu suor esta sede beduína;

Que sonhas sta noite?

Vivo em depressão por tua ausência...
Tornei-me poeta por ti,
suicida, um asceta de ti...

Amor, se ao menos teu nome soubesse...
Se ao menos teu nome soubesse...
....

Terei com o destino e
ainda que leve-me o amor à tortura,
torturo o destino por ti...

Pela avenida que tomarás,
pela esquina onde te encontrar...
.......

A vida por ti daria
mesmo sem conhecer-te,
seja quem fores,
doa em quem sentir dores...
Torturo o destino por ti!

Se te conheço
e te chamo por nome, prometo:

me vou contigo.

Se resto vivo,
casca vazia ambulante,
é para que não sofras meu luto,
jamais meu luto...

O faço por ti,
sofro teu luto e o meu por nós dois...

Prendia meu último sopro por ti...

...

Se amares outro......
Com amor assim tão profundo...

Não guardo rancores e sumo no mundo,
mais um vagabundo a fingir,
mais um marinheiro a cantar
sua desgraça à brisa das ondas...
Às magníficas ondas de qualquer lugar.

Incapaz de fugir
lacrimaria revolto às estrelas
na angústia do encéfalo-cárcere,
trancafiado a espiar
pássaros soltos
tranquilos em farto pomar.

Nasci a sonhar-te,
vivendo esperanças,
sempre à procura
incansável sempre
incansável à procura...
Sempre...

.......

Sempre me pergunto:
Onde dormes esta noite?

Não posso jurar
como o fizeram poetas inúmeros,
Que casto te espero,
meu bem...

Mas quanto à alma,
a essência do ser que te fala,
neguei-lhes a todas!
É tua, não minha p'ra dar...

Pensas em mim?

Penso que sim,
pois te sinto a presença;

Estás comigo em Ilhéus,
estás comigo na cama,
estás comigo na praia,
comigo nas outras mulheres,
comigo em botecos paulistas,
no palco,
na sarjeta,
na poesia que leio e escrevo...

Comigo nos comas alcoólicos,
comigo na overdose.
Comigo na morte,
na ressurreição;
Comigo e por isso consigo acordar...

Comigo e tão distante...
Ou perto, talvez;
decerto talvez;

Te entrego meus versos,
me entrego ao destino;
perverso destino...

Amor,
Meu único amor;

Amor que sonhei de menino,
Ainda que leve-me o amor à tortura,
não tema!

Torturo o destino por ti...



domingo, 20 de novembro de 2011

Nude Hommage to a Holy Forbidden Melody


This land of yesterday is filled with mindless priests of willing rage.

Rapists of the mind, mining for light in the darkness of a cave;

Astronauts of Christ, lost in both time and space, come down!

Eat some shrooms, smell a flower and laugh as if you were a clown!



Stop living so little, for the more you live, more love you gain.

Get out of this silly white dress - it can only bring you pain -

And join the glorification of our rising race! Zest in rivers of joy,

Toy with hearts and dames; turn yours into a man's, you grown up boy...


Ask any ghost who fought and died of cancer if  it helps to cry...

Apocalypse lancer... Your life has been a filthy, meaningless lie...

I've seen you pray for a sign, on your knees, every night, like a bird,

But unfortunately for all of us, an answer's yet to be heard.



So fly high and kiss the sky like once did Hendrix in sixty seven.

Board the led zeppelin. It's easier than building that stairway to heaven

You crave, with pretty learnt words carfully tossed adrift.

You'll find meaning here, now. Infinity itself shall be your gift.



You are not limited by the intentions of a higher bearded entity,

Nor are you imprisoned in this house of none, full of benches.

Go beyond the wall into the chambers of a nun, if not the wenches;

Sing along with us this nude hommage to a holy forbidden melody.



But if you choose to remain serving blindly that mute lord of yours,

At least release the lamb, whom you've protected like a carnivore

Beast, eating brains from inside; feeding them cookies dipped in wine

While they obediently followed orders you previously assigned.



Let them be protagonists to their own stories, let them enjoy credit

For both losses and glories to come. Only they can rectify and edit

Reality and sins, as opposed to those in Rome, flaunting malevolent grins;

Watching gold stand still, while the ill die of hunger and war always wins.



Africa, land in which it all begins, emancipates it's children at birth,

Since survival there is self-service and never pays what it's worth!

Who told them to live in that hot dry part of earth, one might ask;

I think they live there because it's home, and leaving home is never an easy task.



No one is watching over us. Home matters not; niether does that petty cry.

If a God ever existed, logic was the weapon of choice in his suicide!

Noxious worshipers like you drove Him to it, exausted of having to hide

From your greed, from your lies, from His sons; left alone, to kill and die...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Caso Caia, Faz Barulho Um Arco-íris!

Era uma vez um arco-íris.
Sempre admirado; por olhos em deslumbre contemplado.
Reluzia bem definido e as cores, sua essência, emanava aos seus; aos céus...
E quanto mais reluzia, de mais longe se podia vê-lo; e quanto mais visto, representado nas imagens projetadas por consciências cujos olhares semi-indecentes o percebiam, mais vivo era; quanto mais vivo, mais existia!
Assim são todos os arco-íris...
Assim, como seus recheados potes de ouro...
Um deles outro dia apanhei...
Cerrei em minhas mãos aquela pura, úmida beleza!
Apanhei!
E quando espiei, cuidadoso para que não fugisse, por entre polegares, nada havia!
Dissipou-se; se fora meu lindo arco-íris...
Se fora como se foram meu amor; a juventude infantil de meu corpo; como também se fora , sem aviso, Deus, quando o apanhei ainda moleque...
Tudo virou água!
Aprendi que o mundo, meu orgulho, toda a filosofia...
É tudo arco-íris.
Se de uma urna imaginária, que tudo contenha, qualquer coisa apanharmos e dissecarmos e analisarmos e namorarmos...
Para todo o sempre ela estará perdida...
Nada é aquilo que vemos; se não vemos, não há nada; não há mães; não há ódio...
Há apenas o arco-íris...

domingo, 30 de outubro de 2011

A extensão da minha epiderme vive em ti


caiu uma lágrima
do olho do céu
que me molhou de tristeza

a flor que brotou foi de dor
essa que me preenche
o tempo – vazio – da distância

duas manhãs não te vejo
e me pego, pelego
entre a chama e a cama

[eu queria ser a tua pele.]

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Hoje Só Quero um Futuro Bem Passado

Na mais melancólica madrugada baiana
A meus pés fina areia oferece repouso.
Ao findar outro dia do "pensar penoso"
Há ondas no mar que meus olhos engana.

Tirana arde a chama apesar de seu feito.
Suja; densa, sua doce fumaça me priva do ar puro.
Seguro da dor na qual me deleito
Um suspiro suspeito sussurra o futuro

Que me aguarda... Que me aguarde!
Pois ontem é tarde na terra onde moro;
Pois morros se movem nos mares que adoro
Do asfalto em que assaltos espantam covardes.

E não falta coragem ao povo que sobra,
Que ousa ao usar a virtude da cobra,
Que não é má, mas refuta ameaça
E parece assassina aos olhos da caça.

Me aguarde, futuro, me aguarde!
Pois hei de vingar ao topo do altar;
Eu, rei, me deleito ao de Esopo lembrar!

...Terra de Amado, a trago no peito que arde;

Como arde o radiante sol amarelo;
Se pondo em flagelo lá adiante, doente;
Pintado em cartaz no qual só lama relo...

De leve, sem tinta, num quadro que sente.

Mas sóis nascerão para todos os povos.
É o grande refrão que nos traz dias novos;
Sempre o mesmo, rude e inexorável é o astro...
Ontem, Bahia; Hoje, São Paulo; Amanhã eu me alastro!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Carta ao Sentir


Papel em branco que me aguarda ansioso,

venho por meio desta faca maquiada de caneta bic tatuar em você minha angústia fenomênica transitada em julgado na forma de palavra.
É a síntese do necessário.

Com a vênia devida,
Subscrevo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Epopéia Noturna

Perdido em sonho de Oxum
Por demasiado rum
Ao som da triste sanfona
P'ra casa pedi carona.

Com destino a minha cama,
ônibus apanharia
Naquela rua vazia
Na qual a lama me aclama.

Madruga, Domingo,
Encontro um mendigo
Comendo umas letra.
Ou ele me encontra!

Me pede um dinheiro
P'ras drogas do dia.
Lhe nego ligeiro,
Pois bem lhe queria.

Ainda que decepcionado
A mim seu fado assumiu.
De dentes amarelados,
Vago sorriso sombrio.

Falou-me de sua história;
Daqueles tempos de glória.
Cursava uma faculdade
(Sempre sentia saudades).

Mãe que deixara pra trás!
Dormia em pedra de selva!
E os olhos eu não tirava
Das espinhas do rapaz.

Do bolso o cachimbo.
Seus olhos de lobo
Acendem coa chama!
Logo após, me chama.

Lhe nego ligeiro,
Pois bem eu me quero,
Pois mal me faria
A droga vadia.

Falamos em suicídio
Por veneno de um ofídeo.
Riu de uma oferta tão boba.
Não mata e nem sequer rouba!

Parar, não consegue jamais!
Na pedra em que é viciado,
Coloca a vida de lado
Por vir a ser eficaz.

domingo, 25 de setembro de 2011

Legião dos Pobres Diabos Mascarados

Quanta gente a dançar.
Lobos. Todos à procura de um par.
Sem musas, me beijou o Whisky.
Prefiro a vã loucura à noite triste.

E é em tristeza que me acho
Na noite mais paulistana,
Sozinho, mãos na grama,
Em meio ao populacho.

No chão sou invisível.
Pito tragos de um cigarro;
Assisto à burguesia, horrível;
O nojo me obriga ao escarro.

Aos anjos ofereço uma homenagem,
Busco a boca duma bela princesa,
Regojizo-me em fazer de sua nobreza
Pro meu cuspe, auto-móvel, tal garagem.

Fodam-se as princesas!
Fodam-se as tiaras, seus vestidos,
Seu dinheiro e seus maridos!
São elas as menos indefesas.

Passo então a atentar ao cheiro
Da mistura de perfumes nobres,
Do mijo que exala do banheiro,
Do vômito encoberto pelo alfobre.

No tosco vexame urdido por pirraças
Deste baile de tantos energúmenos,
Antagônicos os signos
Que ostentam, orgulhosos, nas carcaças.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Soneto internado em terno


Eu recuso a tecnologia por tu.
E vou escrever estes verbos
na modernidade d'uma Olivetti
p'ra provar que sou sublime.

Que se eu ouso pensar em algo
senão tu, minha mente em flagelo
se põe a viver no instante agora
corpulento a vida depressiva.

E na entrelinha destes versos
nossas roupas esquecidas
se perdem pelas barracas

e em troca restam os pêlos
que são o futuro peticionado
p'ra deixar de ser engravatado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

An Endless Adventure

Sights of you will make me gloom;
Freeze the blood inside my veins.
- So has started my decay -
Is my love for you too soon?

Deep into the forest of your eyes
Open arms will help me glide;
Sweet soft music as my guide,
Hence my fuel never dies.

To your vicious waterfall I'll row
Having goose bumps quite severe,
But I thrive when I'm in fear
And your soul will be my goal.

Should I tell you how I feel?
Should I lie and make it less?
I'm afraid I never will...
I'm afraid!
I'll never rest...

A Pira dos Hereges

À fogueira levado taciturno
Do jazigo que havia violado;
O que Nietzsche fechara de bom grado,
Do assassino cruel do bravo Bruno,

Seu orgulho maior que seu instinto
Inspirou-me a desafiar a morte;
À vida agradecer a minha sorte;
A louvar o sabor do vinho tinto.

Este fogo tão perto de meu peito
Me endireita a postura frente ao rosto
Do carrasco cujo laço me é posto;
Da mordaça à qual tenho direito.

E o povo em sorridente expectativa
Sem mente assiste ao circo tenebroso...
Qual seria a semente de seu gozo?
Da alegria em banhar-me de saliva?

domingo, 14 de agosto de 2011

lúdico


dia nasceu
noite morreu
a lua vira o sol

A Revolta de um Vencido

O silêncio me agrada:
Um pensar absoluto
faz-se tudo o que escuto
Numa voz já viciada.
-
Que combina com meu vulto,
Que não me incomoda em nada.
Soa bem na madrugada
E não me priva do insulto.
-
Caminhando ao seu encontro
Viajando em minha mente,
Que me engana, mas não mente,
Que contém tão belo monstro,
 -
Demoníaco e carente,
Que me tornou belo astro,
Que assina meu cadastro,
E me é fiel ouvinte
-
Fico sempre mais atento
Aos ruídos da cidade;
Aos mendigos ao relento.
 -
O homem ébrio, tão covarde,
Que ameaça aos quatro ventos
A vida da majestade.
 -
Por que tu antes não gritaste,
Ó cordeiro do sistema?
Antes quando do guindaste
 -
Tu pendias no dilema?
“Foi por medo da verdade;
Foi  vergonha desta cena”.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Apogeu da Volúpia

Em face ao ato
Me aguça o tato
E a pele encaixa.
Faz-se o toque
E o prazer me basta
Como a raiva ao rock.
-
Depois o cigarro, denso.
Por ser humano de vontade, penso.
Fumaça deslizando em curvas;
Firme forma feminina exausta.
A língua quente, suave, se arrasta
Suor e saliva são glória em mistura turva.
-
Peitos afoitos capturam o cheiro;
Bentos braços lhe sufocam o seio
No entrelace do furor alheio!
O amor, casmurro, não é mais feio.

Fabuloso Encontro

Correnteza de metal me leve.
Chacoalhe ferindo-me a pele
Ao olho espirográfico do engano
No delírio dos palhaços de pano.
-
Baco resta fraco e envergonhado
De seus filhos a quem pede mil abraços,
Perdidos no solstício do cansaço,
Apoiados nos joelhos do cajado.
-
No deserto de seus passos avistam uma lontra
Banhando-se na lama congelada do lago.
O mamífero lhes fala do cachimbo dando um trago:
-
Ó bípedes desgraçados, ouçam o carrasco que vos monta,
Pois somente aquele que se perde, um dia se encontra!
São doentes que me cedem a poesia; o faz-de-conta.

Saudade Consumada Por Verdades Consumidas

Ainda que não sejam amores, eternos,
Talvez por breves momentos ternos
Infinito ele se torne. Impresso na memória
Dos que deram vida a uma bela história.
-
No escuro do crepúsculo paira o medo
E não para de assombrar-me desde cedo
A lembrança, que não cansa e me enlouquece,
Pois amor é trauma e, por trauma, não se esquece.
-
Pode haver quem negue ou esconda o pranto,
Mas para sofrer de amor, amigos, lhes garanto:
É preciso amor conciso dos mais verdadeiros
Que lhe sirva de sonar por densos nevoeiros.

Ode aos Gigantes em Miniatura

Ignorância desta caixa emana;
De canalhas, cuja triste gana
Tudo o que é verdade colhe;
Mentiras sem pudores planta.
-
Sem vergonhas, o covarde sicofanta
Ao lúdico de um público mole,
Que tudo engole quando inflama,
Apela às belas iludidas pela fama.
-
Que o súdito de lama se lambuze.
Dentes tortos, catando o que não pude
Dos restos de intelectos tão podres;
De odores dos mais repugnantes.
-
Paladinos da notícia irrelevante
Por gigantes colocados nestas torres,
Reclusos em seus sonhos de grandeza
Na torpeza destes magos tão pedantes.
-
Levantai-vos, escravos da poltrona!
O mundo não está em vossa casa;
Vosso bairro, longe do horror de Gaza;
Só os bons vos oferecerão carona.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A cadeira do cursinho.

Estou sentado em uma cadeira.
Rodeado
por outras tantas pessoas,
entretidas em suas conversas.
Todas
querem ser notadas,
querem ser ricas,
querem ter poder
para decidirem o futuro de outras pessoas.
Querem ter dinheiro
para comprarem coisas "valiosas"
que, somente,
as farão mais infelizes.
Terão
a falsa impressão
de serem melhores
porque podem comprar
Lixo de alto valor monetário.
É tudo fútil
é  tudo sem sentido.
As  pessoas são tristes
e
Eu sou uma delas.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Teatro do Olimpo

Da rosa sinto a pena dos deuses
Pelo homem inerte e bobo,
Que canta e dança e chora
E que namora senhoras,
Por vezes Rosas,
Por vezes mortas e frias...
-
Se pudesse ser rosa, seria negra.
Se fosse negra, me chamaria Rosa,
Pois a rosa é sempre nova, na moda
Não sofre e, por sorte, não sangra.
-
És a meu ver a rosa de Atenas.
Que meu coração te sirva de palco,
Pois nele jamais sairias de cena;
Nele, que tuas algemas tomaram de assalto...
-
Não se movem nem amam as rosas;
Ou amam, mas amam calhordas!
Botões da natureza que em sua sina
Da eterna beleza fecham a cortina.
-
Pelo destino fui dado a ti, menina,
Que me exibe e me alucina,
Que me chama pra dançar,
Que me beija nas águas do mar;
-
Mar no qual rosas jamais poderiam nadar;
Num mar de rosas, és tu minha coda; meu par.

sábado, 6 de agosto de 2011

Ensaio sobre quando o tempo fica à margem


I
verbos que neste papel
em branco jazerão
busco em vocês a liberdade
que o pensamento
não me permite viver

II
várias foram as vezes que esbocei palavras a fim de me desenlouquecer, p’ra vomitar este verme que me estremece o corpo e dói nos dias que não passo ao teu lado, e nada (como haveria de ser!), mas persisto e a cada nova tentativa antiga procuro redigir sinfonicamente estes vocábulos p’ra te impressionar; por vezes os sustenidos podem soar estranhos, é que a estética do meu dizer é tão marginal que, por mais clássica, não a reconhecem; mas não te percas nas entrelinhas de um bemol

III
te sonharia caso pudesse pensar
em outra coisa senão tu

IV
minha voz desnuda muda o tom das palavras que te direi, subo uma escala p’ra dissertar que de nada valem as mentiras – se te quero é porque meu corpo te deseja!, sem aspas conduzindo à delicadeza vazia da palavra macia; mas não nego que enfeito o meu quarto com o teu perfume

V
eu não só te queria
eu te seria

VI
há tanto quero escrever uma carta p’ra você, evidenciando mentiras, dissertando sobre minha dieta de mau senso, sobre meu teórico suicídio amoroso; e esta está sendo a carta, porque desde quando você se tornou meu foco, ou, desde quando conversamos você virou poesia p’ra mim, você virou tudo porque desarrumou o aqui dentro e porque qualquer coisa era você; ai!, de quando descendo a rua, a ladeira que hoje é memória, voltei correndo em passos lentos p’ra casa, percebendo o verde do mato que tem naquela praça, o rosa da orquídea agarrada à árvore – imperceptível a olhos acostumados –, os degraus que eram todas aquelas ruas da distância que nos separava: poucas casas; a mentira do tio, da capoeira, do barbeiro, de tudo o que fosse p’ra me deixar mais tempo ao teu lado, como se o tempo pudesse resolver morrer (o tempo não morre, ele é no gerúndio, e a nossa proximidade se tornou abismo); inventei pseudônimos, sufoquei vários papeis de tantas palavras que precisavam ser ditas e inventei algumas, inventei momentos futuros, o passado, o eu p’ra te ter por perto: eu não era torcedor, contei verdades, mas falava de futebol p’ra parecer menino moleque; descobri que podia me sentir bem – precisava te ter ao meu lado –, descobri que o amor é uma coisa escrota, ironicamente, porque escrevendo agora escrevo pieguices, besteiras, e ainda sim tenho coragem de tatuá-las neste papel, por mais que eu possa jogar ele fora a qualquer instante; minto p’ra mim sempre p’ra não pensar em ti e gosto de pensar em ti, de forma que odeio pensar porque percebo que sempre sonho no que diz respeito ao teu nome, o teu nome que já não me arrepia mais, mas, ah!, se eu imaginar a tua voz, o teu cabelo liso e o teu carinho falando comigo, se eu lembrar de você real e não do que me representa você... e de como é difícil lembrar o teu cheiro, como dói; você que hoje não é senão retrato p’ra mim, você antes era o meu pensamento quando resolvia viver, você era o meu próprio eu; você me fez mau, eu não precisava de mais alguém – se você resolvesse viajar, eu nem levava roupas; você foi a paixão que quebrou tudo: eu não sabia mais estudar, eu não sabia mais ser amigo, eu não sabia mais ser filho; aliás, de tudo fazia p’ra te ver, nem que fosse passar em frente a tua casa, num caminho absolutamente burro, nem que fosse fazer os amigos passarem em frente a tua casa, p’ra ver se você estava por lá, nem que fosse pegar o pé de uma flauta doce (aquela parte pequena no final da flauta, sabe?) e uma flor amarela no chão suja, colocar esta dentro daquela, e sonhar a beleza do gesto de deixar na porta da tua casa, e eis que sonhando você chegou de carro com amigos, e eu sonhei mais um pouco pensando em destino – pensando em mentiras que desacredito; você era o assunto de qualquer hora, você era a hora p’ra qualquer assunto

VII
eu morreria junto com você sem pensar
em qualquer outra pessoa & eu ainda penso
na possibilidade de a gente fugir e deixar
o tempo, que é o futuro, à margem da nossa vida.