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terça-feira, 17 de novembro de 2015

O B/Lixo

PROVA – EFETIVIDADE DE DIREITOS – 2º BIMESTRE
Bruno Barreto Mesiano Savastano


O Bicho

“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem”.
                  
                                                                                 - Manuel Bandeira

   Nasci e fui criado em Ilhéus, terra de Jorge Amado, no extremo sul da Bahia, onde a pobreza e falta de oportunidades são tão latentes e constantes quanto o azul do céu sobre as cabeças dos que lá habitam. Quando ainda muito jovem entrei em contato com este poema do Bandeira, que me moveu mais do que qualquer outra frase, história ou cantiga com a qual tivesse entrado em contato até então. Dez linhas que me marcaram pela eternidade.
   Eu não conseguia compreender naquela época o que poderia levar um homem àquele estado; o que poderia se passar com uma pessoa para que ela fosse reduzida à condição de bicho, ou menos que isso, à condição de monstro – por deixar que outros homens se tornassem bichos.
   Quando tinha não mais que 12 anos de idade o colégio em que estudava organizou uma excursão - o destino era o lixão da cidade. Estávamos aprendendo sobre o lixo, sua toxicidade e sobre o problema de como se livrar dele sem afetar o meio ambiente. A Toyota que carregava as 10 crianças pela imundície, no entanto, limitou-se a uma breve e superficial visita; vimos o lixo, sentimos seu cheiro... Havia casas de madeira montadas em meio a ele. Passamos em frente a uma delas e pude ver algo que jamais esperaria: dentro da casa não havia nada além de espaço. Não havia móveis. Não havia eletrodomésticos. Não havia azulejos, cama, pia, privada, nada além de espaço. À frente da casa uma mulher avistava a Toyota como uma espaçonave jamais vista; era magra, tinha um rosto fundo, barriga saliente e o olhar mais vazio que já vi não pertencer a um cadáver... Tétrica figura.
   Voltamos para nossas casas, todos impressionados com o que havíamos visto. Em minha imaginação à noite, deitado em minha cama quente no ar-condicionado, sob o cortinado que me protegia dos mosquitos, aquela mulher era o único ente presente. Onde dormiria?! Estaria só?! Eu não podia deixar de lado o sentimento de que aquela história do lixão não tinha sido contada por completo.
   No sábado seguinte fiz um pedido a meu pai: que me levasse novamente ao lixão. Queria ver a história inteira, ou ao menos um pouco mais dela. Ele atendeu meu pedido e lá fomos nós em sua Chevrolet - Blazer.
   Inicialmente, tudo parecia o mesmo do que havia visto. Lixo por todos os lados; um fedor descomunal; galinhas; porcos. Um ecossistema próprio de animais despreocupados com a qualidade de suas próprias vidas. Pilhas e pilhas de pilhas descarregadas, fraldas usadas, geladeiras velhas, sacos plásticos rasgados - e tudo o mais que não era desejado - se amontoavam ao redor de um caminho de terra que levava a um vale. No vale, uma só pilha; sobre a pilha, pessoas. Que faziam ali, todas unidas?! Paramos a blazer a uma distância de aproximadamente 100 metros do “evento” e nos pusemos a observar. Do nosso lado passou um caminhão de lixo; para ele se voltaram todos os olhares. O caminhão desceu o vale e ali, sobre o lixo, começou a despejar tudo o que consigo carregava.
   Sacos e sacos de lixo eram derrubados em frente às pessoas e até elas rolavam. Como se fossem crianças no Natal recebendo presentes os seres humanos saltavam sobre eles procurando o que pudessem aproveitar: comida, roupa, utensílios, o que fosse. Não sem competição, é claro.
   Simultaneamente o faziam os urubus, disputando o lixo com os humanos, num cabo de guerra de detritos; humanos puxando de um lado, do outro, urubus. Esta era a realidade. A história não contada se desenrolava diante de meus olhos. Com o tempo, mais urubus foram aparecendo, a ponto de expulsarem dali os humanos, com seu número. Derrotados, como mineiros que mais uma vez não encontraram ouro, voltaram para suas casas.
   Os humanos haviam perdido a batalha; e era uma batalha que perdiam regularmente.
   Hoje, ao pensar naquelas pessoas, me emociono como então me emocionei. Vi o bicho do Bandeira em seu habitat natural. Verdadeiros bichos. Bichos ao ponto de eu me perguntar se aqueles bichos sabiam falar. Despidos de humanidade, bichos.
   Quanto às certezas e dúvidas que tenho no que se refere à efetividade de direitos, devo dizer que não tenho qualquer certeza. Apenas dúvidas recaem sobre meus pensamentos. Assim deve ser.
   De quem é a culpa daquilo?! Do estado, ausente?! Da sociedade, ausente?! Do capital, ausente?! Estado, sociedade e capital estão ausentes?! Há efetividade de direitos naquela realidade?!

   Bem, há quem diga que aquelas pessoas estavam excluídas da sociedade, do Estado e do capital; que estavam desprovidas de direitos, ou ao menos de sua efetividade.
   Eu me pergunto: haveria esta realidade se não houvesse Estado e capital?! Os direitos garantem ou limitam a liberdade daquelas pessoas?!
   São muitas as perguntas que minha filosofia anarquista não permite ainda responder, mas me parece claro que a condição em que aquelas pessoas se inseriam não passa de uma consequência do modelo social existente. Um reflexo da realidade, sem maquiagem. Um universo em si, provido apenas de restos.
   Aquela é a sorte de quem não se conforma ao modelo atual; são as pessoas que não servem sequer para serem escravos do sistema. Livres! Absolutamente livres – para nada.
   Enquanto isso, há os que são livres para algo, como Blazers, camas e ar-condicionado, escravos ignorantemente voluntários do sistema, escravizando o sistema, consumindo o sistema e despejando os restos sobre as cabeças das pessoas. A desigualdade social é um pressuposto do capitalismo; uma condição imposta pela hierarquia.
   O modelo de Estado imposto à sociedade me parece cada vez mais uma farsa que se apresenta como uma solução aos problemas da sociedade e é, na verdade, uma ameaça à convivência igualitária. A constituição, tão bela e aparentemente bem-intencionada serve muito mais aos poderosos que àqueles de quem o poder foi usurpado há muito tempo, como é natural que seja. Àquelas pessoas me parecem não faltar direitos; me parece nunca ter estado tão presente sua efetividade. O que lhes falta é dignidade. Todos têm direito à dignidade humana?! Quem é o Estado para nos conceder este direito?! A dignidade é mais que um direito, ela é uma condição para a humanidade. Sem ela não passamos de bichos, como o do Bandeira.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Peso da Língua

Tarda mais uma janela
Em minha noite...

Avança a madrugada
Como avançam em minh’alma
Todas as madrugadas.

Cintilam em mim escuras estrelas...

Uma constelação de sóis
Invisíveis e frios...

Explodem em mim
Estrelas que nunca nasceram,
Sem universo que as contenha,
E caem no vazio.

Há em mim estrelas mortas que nunca vi
E nunca ninguém viu,
Sistemas solares imóveis
Em busca do Impulso.

Impávidos asteroides,
Quasares impassíveis...

Há dores e odores de metal,
Gardênias,
Delírios,
Há pétalas do Quênia...
Há lágrimas de lírios...

Mas pouca vegetação germina
No vasto deserto e o espaço
Carece de matéria prima...

Não há oxigênio,
Não neste milênio!

Não há sequer um lápis
Ou
Páginas de livros...

Decerto dormirei
Quando amanhecer o dia,
Por certo já errei
Bem mais do que devia.

Há galáxias plácidas
Nos devaneios desta vida,
Menos virtude no pouso que na descida,
Mais sonhos roucos que loucos no asilo
E quanto mais grave a queda,
(o silfo em mim à ninfa avisa)
Mais agudo será o sibilo.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Agorafobia

É por vergonha que durmo os dias...
Não me vejam! Jamais me vejam,
Paspalho que sou na vida,
Nem me julguem!

Não, me julguem!
Quero saber a opinião do mundo
E ver se nele encontro ao menos
Alguém que mais me culpe...

Uma cruel opinião,
Deem-ma!
Todo o ouro que jamais terei,
Todo amor que jamais senti,
Toda paz, oh, toda a paz!
E muito mais
Pela cruel opinião
Guardada em si...

Sou parcial e justo,
Por isso sofro,
Por isso durmo...

Afastem de mim os olhos,
Pois são espelhos...

Ver-me-ei de dentro para dentro,
Por dentro de mim
Até que vermes vire!

Dentro sou maior
Que o mundo
E seus julgamentos!

Superior ao mais nobre dos sentimentos!
E minto...

Sou pequeno, sujo, fraco, inútil.
Inútil!!!

Por isso durmo...
Dormindo sofro,
Acordo e sumo...

domingo, 6 de abril de 2014

The Leaf

I saw a leaf on the pavement at night
Still it laid,
Stepped on the edge, on the edge of time…
I picked it up
And looked at its veins, full of lifeless life, I
Looked at Its green, crude and lifeless like
A stone, I looked at it.

It faded into the brown of death,
Alive, as all is alive,
Only I
Looked at its veins full of beaten beauty
And stared into the stars of its green, the city
Shivered.
Only I
Knew the leaf,
Only I
Paid attention.

It was me, but
Would never be
Forever mine.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Mera semelhança é qualquer coincidência!

Desde que te vi não me vejo mais aqui...
Vejo o mundo por aí e me consolo
Por saber que nele existes...
Esteamos todos tristes..!

Já te sei, como soube,
Subi! E daqui não desço, nem ninguém
Me desce!

Proibida só para mim?!
Ingenuidade!
Que pensei?! Que fácil seria?!
Tortura minha alma aos poucos,
Vida!
Tortura!
A mim e a todas as sensações que não me cabem,
Que eu não me caibo!
Eu e ti...
Aqui,
Por vir, não sei,
Te amei, sofri!
Ou lá?!
Êita lá ô...

E jamais deixarei de te ouvir em mim...

Oh, em mim...

Toda a beleza fora e em volta de mim...
Que fim!

Esta chuva que não chega ao solo,
Um resto de rosto escondido num mundo de cegos...
Cego que só não sou cego quando fecho os olhos,
Me molho!
Te sonho e me tomo no imbróglio
Bucólico da realidade em si!

Me tirem, Ah!
Já!
Me tirem daqui!

Obrigado, amor primeiro...
Tiraste o veneno de mim!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Como Eu Como Quem

Como posso querer eu justiça, cometedor de tantas injustiças?!
Como posso querer eu paz, criador de tanta inquietude?
Como posso bradar o amor, eu que nem a mim mesmo amo?
Como posso qualquer coisa e ser ninguém?

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Boiando Contra a Correnteza

Não vou lhe agradecer
Ou jamais me desculpar
Pela errônea infinitude de atos
- Que sou -
Deste rol de imperfeições
Comprimidas num' alma...

Descanso no desassossego,
Danço e tropeço no enredo
Sonambólico das comédias
Entediantes das castas...

Sou piruetas sem graças
Num circo aleijado.

Um capacho esquecido;

Um ciso numa boca sem espaço
Que se projeta ao ouvido...

Um pobre diabo
Caído na Terra;

Não consigo sequer abaixar
Pra amarrar os cadarços...

Preciso de água como toda a gente,

Mas se fazes direito, só quero o errado!
Se banhas teu peito, prefiro meu nado!
Se restas parado, és todo o meu pleito!
Se estás cansado,
Ah,
Me deleito com o teu cansaço....

domingo, 16 de setembro de 2012

Tudo o que tenho não passa daquilo que não quero!
A que venho?
Cansei do bolero
E vou me divertindo na pobreza musical deste tempo corrupto
Quando o sucesso veste o monocromático tédio do terno...

Prazeres terrenos, tudo o que temos são prazeres terrenos...
Ou não sabemos?

Desculpem-me a franqueza, mas esqueci de tomar meu remédio,
E troco por pílulas a lucidez perdida desde sempre;
Estou preso na ilusão de uma vida massacrada por imagens confusas.
Abro os olhos e estou cego; quando os cerro te vejo flutuando na escuridão concisa
De meu cérebro, na consciência rarefeita de insinuações masoquistas e festas...

Conversamos por uma noite inacabada... E a escuridão do dia seguinte é o que me resta de ti...
As luzes da noite, o desespero incerto do por vir....

Sofro não lhe ter dito que ficasses, mas quem era eu para que te pedisse ficar?

Vejo a despedida de teus olhos no meu olhar... Como faço pra te reencontrar, te perdeste na noite!?
Deixei que te fosses...

"Don't go..."

Such a simple compilation of words...
And I wouldn't give you the arm to be twisted,

It was but pride, loneliness, love
What made me choose silence, penniless...

If I see you again, read my mind and stay...
Or don't...
I'll end up following you troughout the night
And perhaps thrive
To not such lonely a day...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Ontem, me acorda

O mundo está inteiro fora da ordem
As casas todas perdidas no mórbido flou
Deteriorando-se com o passar dos tempos e das gentes
Erguendo-se ao infinito dos olhos namorando as estrelas

Quem são as pedras caídas no mar?
Quem os amores terei de viver para viver o amor que me espera e não sabe quem sou?
Quantas paixões se perderam no "olá"?

E não sonho mais, apenas durmo a vida...

Depende do sonho e da vida quantas destas valem aqueles
Ou quantos daqueles fazem desta minimamente suportável...?

A todos os perdidos o nada encerrado na mente dedico!
Minto aos escombros do vento a cerrar-me os olhos
E acordo mais perdido nas folhas em que falhas escrevinho...
Sem amores ou gritos pra fora, amando e gritando pra dentro....

Me liberto da dor que me espera sem nada esperar; e nada me vem, subitamente.
E mais certo parece deixar de viver a vida e deixar que ela mesmo me viva,
Como uma pedra a rolar saltitando o destino...

Mas é chão todo o ar sob meus pés;
São pés as ferramentas todas à disposição

E a tua falta me deixa acordado na cama semanas a fio...
Eu já nem sinto o frio...

domingo, 8 de julho de 2012

Romance Natimorto

Nem um pio no píer
E a lua minguante sorria,

Rochas quebrando nas ondas
Gozando o orgasmo do mar...

Equilibrando-se no horizonte, cúmulos!
Acima dos cúmulos, stars...

Estás comigo sta notte,
Navio naufragado no cais?

No píer,
Nem um pio.

Há tartarugas ao longe, não há?
Ondas, talvez
Sereias,
Quiçá?!

Se é relativo o tempo,
Será relativo o pensar?

Me mostrem o mundo das tartarugas
Aos olhos de um beija flor....

Te mostro as estrelas
Já mortas
E ainda no mesmo lugar...

domingo, 24 de junho de 2012

Big Bangs the Poetry

Demência com quem durmo sta' notte,
Falência múltipla neural, pois assim ordena o velho e desbotado psiquiatra!

Falésias na escuridão cansada de gavetas tortuosas,
Mongólia, minha Mongólia querida ascensão de glória femural,

Candelabros a banharem-se em cachoeiras, cacho de banana podr e frio, raízes do sol!

Dentro do útero masculino a sangrar negro em Platão fora o cúmulo em que resto a testa,
Paradigma nojento de veias adjacentes sem a principal,
Caixas de papelão em que televisores são inúteis e todo o resto a tem(e) tem por único final,

Caixas de madeira dentre as quais a minha não ainda feita, pacientemente a me aguardar, hoje ainda viva...
               Estarás madura?
Oh, caixa abatida por lenhadores barbeados, sofro tua morte!
Penso hoje em ti e sofro por antecipação nosso destino e os dos vermes em que nos tornaremos...

O osso que restará não poderá fazê-lo...

Apelo a apolo em convalescênça por bondad(e) pelos pelos que me sobrem!
Anoiteço enfermo esta rollerball,
Mereço eterno este castiçal,

Castigo os pulmões com oxigênio sem cocaína...

Negações jupiterianas de Saturno e Titã!
Lorax!
Quasares em que marés pululam,

Big                                                                                         (QÜÉ....)
    Bang,
         Eu em ti estava!
Que me importa não star aqui      (u/ui)var
                                             lo
 A não ser puro o temor daqui      pelo que mais amor tenho,
                       Que sejamos sujos tua límpida.
                                    imaginação!               .
                                           !!                        .

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Quando 1 + 1 é igual a 1

Namorei a primeira vez aos treze de idade!
Namoro infantil, é verdade, mas intenso...
Infelizmente, apenas intenso de minha parte - ou não.
"Ou não" infelizmente!
Estou certo da irreciprocidade...

Como nunca, até então, sofri, como sempre...
Trocávamos cartas e eu,
Amor por simpatia;

Neste negócio de amar, entrei no prejuízo - disso sabia, mas pagava
De bom grado
A pena de ter meu amor, amado!

Sua Tuas Lágrimas

Então estás triste?
Mas se estás triste, por que choras?
Choras por leite derramado sempre que choras triste...
Por incompetência tua é que choras quando choras triste...
Choras por haveres perdido aquilo que não mais existe!

E quanto sal dedicaste a tuas lágrimas?
Quanto suor desperdiçaste aos olhos?
Quanto mais chorares por estares triste, mais triste chorarás!
Choras, amigo, preguiça
Pois pensas para trás!

Datilocracia

Tenho sono

Mas tenho também a preguiça de dormi-lo...
Os dedos são os únicos a ignorá-la
Olhos lerdos, escrevo e me atenho somente ao que já foi escrito;
Leio, enquanto escrevo, a palavra imediatamente anterior àquela que escrevo...

Meus olhos cansados imploram arrego e por fidelidade aos dedos, forço-me a arregalá-los...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Duas Marias de Três

Começo a escrever às quatro da madrugada...
Daqui a pouco vem o sol me roubar a inspiração;
Daqui a pouco a inspiração me roubará a lucidez;
Daqui a louco são quatrocentos e trinta quilômetros

e cinco horas de puro rock & roll.....

quarta-feira, 18 de abril de 2012

On Bible II (or Letter to Carlin, may he do it in hell)

Nosso mundo
velho mundo
novo mundo
todo mundo, velho ou novo
ama o mundo
mas há
quem mais ame
o seu.

homens ilhas,
náufragos

por tempo demais, náufragos
enlouqueceram, náufragos
e arruínam o mundo;
não sabem o que fazem

(...)

desde Cristo não sabem o que fazem!
com seu ódio
endeusaram o inimigo
por dois malditos milênios;

é condição humana não saber o que faz!
a vida não tem manual;
atualizem a bíblia
esta horrível magnífica ilha,
mas comecem como se deve,
com "era uma vez"...

Lanchonete na Paulista

- Um poema e um açaí, por favor.
- Vai querer banana e granola?
- Só no poema...

(...)

lê o açaí,
come o poema;

(...)

- Satisfeito?
- E como poderia?
fazem ainda falta uma praia, bom acarajé e muito mais preto neste povo branco!
nas favelas o baiano se sente mais em casa...
e painho sabe,
paulistano leva anos pra manjar a terrinha...

terça-feira, 10 de abril de 2012

- Vou Pular!

- Por favor, não o faça!
- Por que não deveria?
- Tanto há pelo que viver! Como podes abandonar assim o mar, as flores, família?
- Quem pensas ser para dizer-me das coisas da vida como se a pena pagasse vivê-la? Quero morrer. Me deixe morrer, que a vida é sofrimento; latrocínio divino; roubo, roubo, roubo, seguidos de morte!
- Que te roubaram, irmão? Não pode ser mais valioso que tua vida!
Não pula. Me dá a mão; te convido a dançar!
- Cansei de dançar, derradeiro amigo... Não posso dançar, assim como não se pode cantar no vácuo sideral; Veja: o lago é ao nado o que é à dança, alegria...
Pulo!
- Não pula...
- Pulo.
         .
         .
         .
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         .
         .
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sábado, 7 de abril de 2012

Isocromossômico Delírio

Ha ha ha ha ha ha ahhh...

Encanta o constante farfalhar das palmeiras ilheenses,
o ar...
Saborosa melodia do ar quando anoitece
tecendo à perfeição os cabelos de amantes...

Consternadas na imensidão, solitárias
estrelas cintilantes ao gordo luar dourado
ostentam orgulhosas o sinalagmático engôdo
entre céu e oceano ao exaltar
suspensos, submersos, seus falsos diamantes...

Há fogo na areia branca...

Em êxtase
contempla um casal de artistas
buscando inspiração meta-ortográfica,
toda a nebulosa esburacada via láctea.

E ligam pautas nas pontas dos dedos,
desenham claves conforme o desejo
em meio a beijos, risadas, devaneios...

Em meio à brisa que seios endurece...

Rufam as ondas, a fogueira estala
rítmica.
a se tocar provocando tremedeiras
sísmicas,
prazer absoluto! Absurda é tal paixão
recíproca;
silenciosas, línguas sussurrando às peles doces
carícias
caóticas
cíclicas...

xx x xx

quinta-feira, 5 de abril de 2012

No Meio do Caminho, Pedras!

Queres mesmo saber quem és?
Pois pergunta à mais sincera testemunha;
Do topo de uma montanha ao vento certo
Encha teus pulmões de ar e grita tua questão à Terra...
Pergunta ao eco!

Caso temas a escalada, todavia,
Procura a cavidade duma gruta
Ou orelhas duma mulher singela
E da eterna escuridão o veredito
Daquela cuja essência seja verdadeiramente oca,
Reverberará vazia tua resposta rouca...

Se temes o veredito, cala teu louco grito,
Tira esta roupa suja, criança, te lava!
Atenta ao teu silêncio; ao mar, ao firmamento;
Ao ronronar de teu vulcão interior pleno de lava,
À cidade e ao relento...
À cidade e ao relento...

As cidades são florestas,
Moradias de Medusa.
Para vencê-las, faça como Édipo!
Vês aquelas agulhas de tricô sobre o travesseiro?
Pois bem, irmão...
Pois bem, amor...
   Usa!